Depoimento – Imigração Canadá – Idioma, Carreira e nosso filho - Orlando e Aurilene


Neste vídeo, o Orlando e a Aurilene contam suas experiências de vir para o Canadá com um filho

Aurilene: Olá, eu me chamo Aurilene, tenho 39 anos, sou formada em secretariado executivo bilíngue, e tenho pós-graduação em Administração Estratégica Empresarial.

Orlando: Bom, eu me chamo Orlando, sou da Argentina, tenho 43 anos, eu morei na Argentina e tem 12 anos que morei no Brasil. Eu sou formado em Engenharia da Computação, tenho dois MBA na FGV e uma certificação, e trabalho como gerente de projetos.

Como tudo começou?

Aurilene: Bom, a idéia de vir para o Canadá surgiu em 2006. Eu descobri que uma amiga já estava aqui, então eu comecei a trocar ideias com ela, e é engraçado que eu sentia saudades daqui, mas eu nem conhecia o lugar, então eu acho que para mim a relação com o Canadá é meio que uma coisa de alma.

Planejamento:

Aurilene: Em 2010 nós estivemos aqui por um mês para estudar o francês, eu me apaixonei por Montreal, em 2011 a gente resolveu congelar os planos né, dar um tempo, e agora no final de 2014 nós retomamos os planos de vir e voltamos o estudo da língua francesa na École Québec. Tivemos a indicação da Planet através da École.

Orlando: A Katerine foi a pessoa que nos deu o contato da Planet. E a alternativa que podia funcionar mais rápido e que teria mais segurança de acontecer seria encararmos aquele processo como estudante. Foi assim que ela disse: “Olha, seria interessante vocês conversarem com a pessoa que eu conheço da Planet, que eles já têm experiência, eles conhecem como é o meio”. Então foi assim que a gente começou, conversamos com o André e ele se propiciou, se disponibilizou para a gente, para algumas conversas que foram muito interessantes para mim, e no fim das contas demos início aos papéis, a minha esposa escolheu qual que era a melhor carreira que complementasse melhor aquela experiência que ela já tinha.

Aurilene: É, o primeiro contato com o André foi através do Skype né, ele aqui em Montreal e a gente lá em São Paulo. Foram várias reuniões, várias conferências, vídeo conferências depois do primeiro contato, muitas indecisões, mas o auxílio da Planet foi assim primordial, foi essencial para a escolha do curso, para a escolha da escola, para a decisão da cidade, de qual escola ir, de qual curso fazer, que caminho tomar, se fazia o processo sozinho, se fazia com eles. Então assim, foi um suporte, foi muito positivo para a gente tê-los como parceiros dessa nossa conquista de estar aqui hoje.

O visto aprovado:

Aurilene: Bom, eu me lembro até hoje quando o André ligou para dar a notícia né, ele meio que fez uma pegadinha com a gente, e foi muito estranho porque ele ligou: “Auri...o pessoal do consulado ligou e está pedindo um documento...”, aí eu falei: “caramba, ferrou! “, aí que le soltou: “Não, seu visto foi aceito! “. Eu dei um suspiro, assim, parecia que eu tinha tirado um peso de dez anos das costas, passou um filme na minha cabeça, eu chorei, chorei mesmo de verdade! Porque quando você sonha, você quer muito uma coisa, e no momento que aquilo acontece é meio que um choque, você fica meio que paralisado e fala “Caramba! Eu consegui, e agora o que é que eu vou fazer? Eu tenho que arrumar as malas e partir! “.

A chegada:

Aurilene: Então nós decidimos que eu viria para estudar, mesmo com o idioma um pouquinho mais abaixo e o idioma dele estava melhor para o mercado de trabalho. E então assim decidimos, eu escolhi o curso de Technique de Gestion Hôtelière, e minhas aulas já começaram agora dia 29 de agosto, e eu sabia que chegando aqui eu conseguiria recuperar um pouco do nível do idioma. Assim, pelo menos particularmente para mim, quando nós chegamos aqui é muito diferente, você acha que você fala, lá no seu país de origem você acha que você fala bem, chega aqui você leva um choque cultural. Você está imergido na cultura, no sotaque quebequense, então assim, no primeiro momento as pessoas falam com e você fala: “nossa o que essa pessoa está falando? Não estou entendendo! “. E aí o que é pior é você tentar falar de volta e a pessoa não te entende, mas em questão de semanas depois dependendo da facilidade que cada um tem com a aprendizado, as coisas vão se ajustando, o ouvido se ajusta, a fala se ajusta, o cérebro se ajusta.

O college:

Aurilene: Para mim tem sido bem positiva a experiência no LaSalle, no college. O primeiro mês foi bem difícil, é bem puxado. Eu fiz a prova, o teste para entrar, tive que pegar a imersão mas para mim está sendo a melhor coisa porque pelo menos eu estou sendo melhor preparada para um futuro emprego, e 99% dos imigrantes que chegam aqui, pelo menos os que estudam no LaSalle, eles vão para a imersão, e eu acho isso bastante positivo no sentido de você estar melhor preparado depois que você terminar o curso. Então para mim a experiência tem sido bastante positiva.

Orlando: Agora quando eu cheguei aqui me deparei com um mundo que era muito mais acolhedor do que outros países que já morei. A gente achou muito interessante aquela história do colégio, o colégio do nosso menino de 5 anos foi muito interessante, acolhedor, o pessoal direciona claramente como tem que ser feito, como se faz a comissão escolar, tudo foi muito bom. E bom, e agora eu continuo à procura de emprego na minha área que seria de gerente de projetos, e está sendo interessante porque para minha área eu preciso ter um francês totalmente proficiente. Não está valendo muito eu ter um nível avançado de francês, eu preciso ser proficiente, absolutamente proficiente, para poder vencer alguma barreira, então estou trabalhando nisso para ver se dá certo. Algumas entrevistas estão acontecendo, e vamos caminhando.

O que mudou para meu filho?

Aurilene: O Benjamin, ele está com 5 anos e meio e nós sempre ficamos apreensivos de como seria a relação dele com a escola né. Chegando aqui eu sabia que as coisas iam mudar e muito né, eu ia ter que colocá-lo na escola, ele ia ter que ficar o dia todo, eu não ia ter uma pessoa para poder me ajudar. Então isso me deixou bastante apreensiva, a relação dele com a escola ficando um dia inteiro, a questão do cansaço, da rotina, da adaptação. E surpreendentemente ele desde que a gente chegou ele tem sido assim, eu digo, bastante corajoso para a idade dele, é um desafio muito grande. Ele assim, no início, nos primeiros dias, ele demonstrou bastante gosto de estar no meio desse ambiente de multiculturalismo, de crianças diferentes, de idioma diferente, mas um pouco meio que chateado né, por não conseguir se expressar, por não conseguir interagir tanto. Hoje ele já me diz que ele consegue interagir mais. Infelizmente na escola que ele está não tem a sala de accueil, que é para crianças que vem de outros países eles tem uma sala de accueil que é onde a criança vai especificamente para aprender o idioma, mas isso não tem sido nenhum tipo de empecilho para ele. Ele já consegue se expressar em francês em algumas situações, ele me conta que falar e se expressar através de palavras ele usa gestos, ele se comunica através de gestos. E assim, não está sendo fácil, ele está tendo que se desdobrar, ele está tendo que descobrir uma maneira de se aproximar das crianças, fazer novas amizades, mas ele demonstra que tem sido uma experiência positiva. A escola é acolhedora, o ambiente escolar é bastante desafiador para uma criança da idade dele, mas faz parte né. Ele tem se desenvolvido bem, se adaptou super bem, já tem 3 meses que nós estamos aqui em Montreal, 2 meses já de escola para ele, então tem sido uma experiência bastante positiva sim.

Orlando: Eu acredito que a escola é bastante profissional pelo que eu consegui ver com aquelas opções que a gente viu quando entrou em contato com a escola. Eu achei muito interessante a educação, o nível dos jogos didáticos que eles têm são muito avançados. E o que eu gostei muito é que ele já conseguia entender um contexto geral do que estava sendo falado no primeiro mês, e agora que já estamos terminando o segundo mês dele dentro da escola eu me surpreendo porque a criança, o Benjamin, já consegue falar alguma coisa assim básica de francês e tudo. Eu já participei uma vez de uma conversa do pessoal da garderie falando para ele “onde estava tal pessoa, onde está a outra? “ e ele respondendo “Sim, oui, non...” , rapidíssimo, e dava para entender a clareza de entendimento. E o que me surpreendeu bem é que no boletim, no status que a professora dá, ela coloca que Benjamin já está conseguindo fazer avanços muito rápidos no francês que que se surpreendeu com a maneira que ele está se relacionando com as demais crianças. E o nosso moleque está bem acolhido, a gente está gostando muito. O que está sendo outra parte desafiadora é aprender a conhecer a nourriture né, a comida canadense, a gente acha que foi interessante colocar ele lá, que o pessoal traz comida quente para eles, para as crianças do colégio, ele está aprendendo a aprimorar aquele gosta da comida diferente, por exemplo o patê chinoise e outras coisas que não são da nossa cultura, que nunca experimentamos. Eu acredito que é positivo.

Aurilene: Só um parêntese, a comida não é para todas as crianças da escola, é um serviço que a gente contratou a parte, mas foi um fator importante a gente colocar ele em contato...está em uma fase difícil aí de comida, de não querer comer “não gosto, não gosto, não gosto...”. Então a gente optou em contratar um serviço a parte para colocar ele em contato com a cultura da comida, e não está sendo fácil para ele, mas é o que tem para comer e pronto né, não tem escolha.